sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ainda: Net pode estupidificar o cérebro

Net pode estupidificar o cérebro

A frase é forte, altamente contestada e é proferida por um adepto confesso das novas tecnologias e respeitado especialista em questões relacionadas com a vida na Web. O seu nome é Nicholas Carr, e o seu último livro, apoiado em inúmeras experiências científicas, afirma que “estamos a treinar os nossos cérebros para prestar atenção a tudo o que não interessa”.
A frase é forte, altamente contestada e é proferida por um adepto confesso das novas tecnologias e respeitado especialista em questões relacionadas com a vida na Web. O seu nome é Nicholas Carr, e o seu último livro, apoiado em inúmeras experiências científicas, afirma que “estamos a treinar os nossos cérebros para prestar atenção a tudo o que não interessa”. É que a explosão de tecnologia digital não só alterou a forma como vivemos e comunicamos, como também a nossa actividade cerebral

No início de 2009, num estudo publicado pela revista Science, uma famosa psicóloga do desenvolvimento, Patrícia Greenfield, avaliou mais de 40 estudos sobre os efeitos dos vários tipos de media em correlação com a inteligência e a capacidade de aprendizagem. Uma das suas conclusões foi a de que “cada meio desenvolve algumas competências cognitivas em detrimento de outras”. A utilização crescente da internet e de outras tecnologias com base em ecrãs, escreve, levou a “um desenvolvimento generalizado e sofisticado das nossas competências espaciais e visuais”. Contudo, esses ganhos caminham de mãos dadas com um enfraquecimento da nossa capacidade de “processamento aprofundado” que sustenta a “aquisição cuidadosa de conhecimentos, análise indutiva, pensamento crítico, imaginação e reflexão”.

Se o leitor conseguiu ler este parágrafo sem ter a tentação de abrir o seu email, de responder a um tweet, de visitar o Facebook ou de ver algum vídeo no YouTube, parabéns, pois ainda não está totalmente rendido ao vício e à distracção crónica. Mas e voltando ao estudo acima citado, afinal não concordámos todos que a Internet abriu portas a todo o conhecimento do mundo, aumentou a nossa produtividade para níveis jamais vistos e contribuiu para todos nós sermos mais informados e conhecedores da realidade? De acordo com o autor de The Shallows: what the Internet is doing to our brains, a questão das multi-tarefas que é permitida e encorajada por todos os dispositivos digitais que temos ao nosso dispor serve, supostamente, para aumentar a nossa produtividade mas, muitas vezes, acaba por a diminuir.

“Quando nos ligamos à Internet, entramos num ambiente que promove a leitura apressada, um tipo de pensamento ‘às pressas’ e distraído e a aprendizagem superficial”, escreve. Para o autor, a leitura é feita a partir de um padrão em “F”: depois de lermos as duas primeiras linhas de um texto, o mais comum é que os nossos olhos desçam até ao final da página. E isto explica-se pelo facto de estarmos a perder a capacidade de transferir o conhecimento da memória “em trabalho” de curto prazo para a memória de longo prazo, a qual é responsável por modelar as nossas perspectivas e visões de forma duradoura. Ou seja e de forma simples, o que ganhamos em quantidade de informação disponível, perdemos na forma como a deixámos de aprofundar.


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