quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Resistência a antibióticos em Portugal


Até 2050 mais de 40 mil portugueses podem morrer por resistência a antibióticos

Portugal exibe dos mais altos resultados de mortalidade por resistência a antibióticos. Estima-se que por ano morram acima de 1100 portugueses, segundo um estudo hoje divulgado pela OCDE.
Mais:
https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/mais-de-40-mil-mortes-em-portugal-por-resistencias-a-antibioticos-ate-2050---ocde-10142395.html

quarta-feira, 20 de julho de 2016

2016 Pode ser o ano mais quente de sempre


"Se as temperaturas continuarem a bater recordes durante este ano, 2016 pode tornar-se no ano mais quente de sempre — mais exatamente desde que começou o registo, em 1880. A análise é da NASA e revela ainda que a temperatura média atual é 1,3ºC mais elevada em relação ao final do século XIX."

Mais em:

http://observador.pt/2016/07/20/2016-pode-ser-o-ano-mais-quente-de-sempre/


domingo, 28 de dezembro de 2014

90% das células do nosso corpo são bactérias




O seu corpo é formado por várias células. Disso você já sabia. O que talvez você não saiba é que, para cada célula do seu corpo, existem outros 10 organismos que são essenciais para o desempenho de várias funções que o nosso sistema precisa.
Existem cerca de 100 trilhões – vamos repetir: 100 trilhões! – de organismos vivendo sobre ou dentro de você neste momento. Eles entram por sua boca, nariz, ouvidos e por qualquer outra entrada de seu corpo. Ou seja, aquilo que você considera ser você é apenas uma fração do que realmente é… você.
Nós chamamos este sistema de seres vivos morando em nós de microbiota. Estas pequenas criaturas contém cerca de 22 milhões de genes com seus próprios DNAs que não só permitem que elas existam como são fundamentais para vários processos do nosso corpo. Elas auxiliam na digestão, mantém o sistema imune saudável e controlam nossa fome, ajudando a nos fazer sentir “cheios”. Elas até mesmo podem alterar nosso humor. Ratos criados em ambientes esterilizados, não expostos a estes micro-organismos, respondem de formas menos efetivas a estímulos de estresse do que ratos normais.
Você já ouviu falar em transplante de fezes? Acredite, é uma coisa real e muito eficiente. Algumas doenças são causadas por microbiotas com pouca diversidade, o que deixa o indivíduo suscetível a infecções. As fezes de uma pessoa saudável são transferidas diretamente para o intestino da pessoa com poucos micro-organismos. Os novos habitantes recolonizam o local e deixam tudo bem novamente. Esse tratamento é usado com mais frequência quando alguém toma algum antibiótico que acaba matando uma parte grande demais do microbiota.
Cientistas inclusive descobriram que ratos obesos que receberam microbiota de ratos magros incrivelmente perdem peso de forma mais eficiente, mesmo que as suas dietas fossem mantidas as mesmas.
Os micro-organismos que vivem em nós são tão significativos, de várias maneiras diferentes, que cogita-se que, no futuro, os médicos não irão mais nos diagnosticar, mas sim diagnosticar eles.

Mudança de inquilinos

Embora apenas 10% de você seja você, você tem um papel importante em relação a seu corpo. Porque, na verdade, você pode mudar os outros 90%. Tudo o que você come afeta sua microbiota. Comidas que possuem prebióticos e probióticos, por exemplo, introduzem novas e saudáveis bactérias, que podem ajudar as velhas a funcionarem. Por outro lado, os nuggets de frango que você adora ou quaisquer outros alimentos processados são tratados com produtos químicos que matam as más bactérias, mas que possuem o infeliz efeito colateral de matar as suas bactérias boas também.
Pessoas que vivem no lado ocidental do planeta, na verdade, possuem uma microbiota muito menos rica do que pessoas em outras culturas sem o costume comer alimentos processados. Isso acontece não só por causa deste tipo de dieta, mas também pelo uso frequente de antibióticos e sabonetes antibactericidas. Esses costumes ocidentais também podem explicar por que existem muitos mais casos de alergia e de doenças autoimunes neste lado do planeta.
Se você está tendo uma crise existencial neste momento, tenha em mente que, se você se alimentar direito e tratar bem os seus amiguinhos que compartilham seu corpo, eles vão cuidar bem de você. Ou dos 10% de você que realmente são você. [ASAPScience]

domingo, 21 de dezembro de 2014

A supernova que poderia destruir o mundo

A Supernova que podia (mas provavelmente não vai) destruir a Terra

por DN.pt19 dezembro 20143 comentários
Uma supernova acontece quando as estrelas morrem e explodem, como aconteceu com a SN 2006gy, observada em 2007.
Uma supernova acontece quando as estrelas morrem e explodem, como aconteceu com a SN 2006gy, observada em 2007.Fotografia © DR

O sistema Eta Carinae vai explodir, ou pode até já ter explodido, a 7500 anos-luz da Terra, mas a Scientific American desacredita os alarmistas que dizem que vai destruir o nosso planeta.

O sistema Eta Carinae, que se pensa tratar-se de duas estrelas muito perto uma da outra, está prestes a chegar ao fim da sua vida, o que significa que poderá entrar em supernova (explodir e largar até 90% da sua massa) a qualquer momento no próximo milhão de anos. Alguns afirmam que quando Eta Carinae entrar em supernova, a vida na Terra vai ser destruída, alegações que a revista Scientific American veio desmentir.
Na coluna regular Fact or Fiction? (facto ou ficção) da Scientific American, Lee Billings optou, desta vez, por falar da supernova de Eta Carinae, que descreve como "um barril de pólvora supermassivo que está a chegar ao fim do rastilho". Eta Carinae, cerca de cem vezes maior do que o Sol, poderá até já ter explodido, mas a luz da supernova ainda não ter chegado até nós.Quando explodir, é possível que, como acontece com outras estrelas supermassivas que entram em supernova, liberte dois feixes de radiação gama dos seus pólos. Trata-se de "uma das explosões mais brilhantes do Universo", destaca Billings.

Em teoria, se um destes feixes atingisse a Terra e fosse muito poderoso, as consequências seriam devastadoras. Billings explica que a radiação gama ia causar chuvas de partículas radioativas, destruir a camada de ozono, causar supertempestades e destruir a maior parte da vida na Terra.
"No rescaldo, céus escurecidos e cheios de fuligem libertariam torrentes de chuva ácida, que só parariam para banhar a superfície com radiação ultravioleta", continua a peça da Scientific American.

No entanto, o consenso científico é que este cenário apocalíptico não vai acontecer. O mais provável é que Eta Carinae nem sequer produza este feixe de radiação gama. Mesmo que isso aconteça, a Terra não estaria no seu caminho. E se por algum acaso o planeta fosse atingido pela radiação, o feixe estaria tão atenuado após os 7500 anos-luz de viagem que não teria grandes efeitos na biosfera.
No entanto, muitos mistérios rodeiam ainda Eta Carinae, que o astrofísico Stan Woosley, da Universidade da Califórnia, qualifica como o "maior embaraço" da comunidade científica nesta área. Sabe-se muito pouco sobre o sistema, e há muitas variáveis que afetam como esta poderá evoluir.
"Ninguém sabe o que se passa lá", conta Woosley à Scientific American. "Podia morrer amanhã ou daqui a muito tempo."

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quantas bactérias há num beijo

Quantas bactérias há num beijo?

por Dn.ptHoje1 comentário
Quantas bactérias há num beijo?
Fotografia © Leonel de Castro/ Global Imagens
Cientistas holandeses fizeram um estudo e descobriram quantos milhões de bactérias são trocados num só beijo de dez segundos.
Quantas bactérias se trocam num beijo? Um estudo publicado na revista Microbiome mostra que num beijo de 10 segundos o número de micróbios transferidos chega aos 80 milhões.
Um equipa da Netherlands Organisation for Applied Scientific Research (TNO) dedicou-se a esta questão. Depois de analisar a microflora da boca de 21 casais e de questionar os casais sobre os seus hábitos, a equipa concluiu que os casais que se beijam, em média, nove vezes ao dia possuem uma composição bacteriana muito similar.
Apesar disso, os cientistas afirmam que esses microorganismos ajudam a fortalecer o sistema imunológico.
Os cientistas holandeses contam ainda que os beijos, ou pelo menos o contacto boca a boca, não são exclusivos dos humanos: tem sido observado numa grande variedade de animais, incluindo peixes e aves e é importante para avaliar a capacidade física e a aquisição de alimentos. No entanto, o beijo mais íntimo, aquele que envolve a língua e a troca de saliva, é um comportamento único dos humanos. Este é comum em mais de 90% das culturas conhecidas.

domingo, 19 de outubro de 2014

Maior aranha do mundo (come rato)




Aranha-golias assusta cientista na floresta tropical

por Dn.ptHoje2 comentários
A aranha-golias
A aranha-goliasFotografia © http://thesmallermajority.com/
Num passeio noturno pela floresta tropical, Piotr Naskrecki ouviu folhas a estalar atrás de si. Pensou que estaria a ser perseguido por um rato, até um cão. Afinal, era a maior aranha do mundo.
Conhecida como a aranha-golias-comedora-de-pássaros sul-americana, ou simplesmente aranha-golias (Theraphosa blondi), esta é a maior aranha do mundo, segundo o livro dos recordes do Guiness. Tem uma envergadura de patas que chega aos 30 centímetros e pode pesar até 170 gramas, o mesmo que um cachorro recém-nascido. O som que faz quando se desloca, segundo Naskrecki - que é entomólogo e fotógrafo do Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard - é semelhante ao de um cavalo a bater com as patas no chão, devido à grossura das suas garras. Só não atinge o mesmo volume.
Há quem defenda que a maior aranha do mundo é afinal a aranha-caçadora-gigante, que vive apenas no Laos, porque tem maior envergadura de patas. Mas, segundo explicou o entomólogo, a aranha-caçadora-gigante é muito mais delicada e compará-la com a aranha-golias seria como colocar lado a lado "uma girafa e um elefante", sendo o elefante, obviamente, a aranha-golias.
Conforme relata no seu blog, Naskrecki aproximou-se da imponente aranha, refeito do susto, e percebeu que ela estava a tentar esfregar as longas patas no seu abdómen. Iniciamente achou engraçado, mas logo percebeu que a aranha estava a mandar-lhe para cima uma nuvem de pelos com barbas microscópicas. Quando estes pelos entram em contacto com os olhos ou outras membranas são "extremamente dolorosos, dão comichão e podem permanecer durante dias". E além das poderosas garras, com cerca de cinco centímetros, a aranha-golias também é venenosa quando morde, mas a sua dentada - apesar de dolorosa - não é mortal para os humanos.
Chamam-lhe "comedora-de-pássaros" mas, na realidade, a maior aranha do mundo alimenta-se sobretudo de minhocas. Não é comum encontrá-la: "Já trabalho na América do Sul há muitos anos e nos últimos dez ou 15 anos vi aranhas destas três vezes", disse Naskrecki. O espécime da Guiana, que era fêmea, está agora num museu, depois de ter passado pelo laboratório do entomólogo.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Memórias microscópicas dos alunos do 7º ano (2013/14)

Aqui fica um filme feito com material observado por alunos do 7º ano, relativo à observação de microrganismos protozoários.

Pode-se observar:

- protozoários em movimento
- bactérias em movimento (mesmo pequeninas na imagem!)
- protozoários em divisão
- protozoários em momentos aparentemente íntimos(!)

Tem música a acompanhar para não sobrecarregar a paciência.

João Correia

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cientistas contam a história do bólide vindo do céu que abalou Cheliabinsk em Fevereiro

http://www.publico.pt/ciencia/noticia/cientistas-contam-a-historia-do-bolide-vindo-do-ceu-que-abalou-cheliabinsk-em-fevereiro-1611603

 

Uma análise pormenorizada do que aconteceu em Cheliabinsk leva os especialistas a especular que eventos como este — que põem em perigo as populações e as construções — poderão ser bastante mais frequentes do que se pensava.
Este meteorito com cerca de quatro centímetros de diâmetro foi um dos fragmentos a atingir o chão Cortesia Science/AAAS
 
Imagine um prédio de seis andares a cair do céu e a explodir por cima da sua cabeça. Foi essa a experiência que terão vivido, há nove meses, os habitantes de Cheliabinsk — cidade da região dos Montes Urais, na Rússia —, quando um bocado de asteróide com 19 metros de diâmetro se abateu sobre eles sem pré-aviso. Com base numa diversidade de informações recolhidas na altura, três estudos — dois publicados na revista Nature de quinta-feira e um outro na revista Science de sexta-feira — contam com grande pormenor a história do bólide de Cheliabinsk. E os resultados sugerem que o que lá aconteceu poderá voltar a acontecer noutro sítio mais cedo do que previsto.
Recorde-se que, por volta das 9h00 (5h00 em Lisboa) de 15 de Fevereiro, um rasto de fogo cruzou o céu e explodiu numa bola incandescente. Segundos depois, ouviu-se um forte estrondo e uma onda de choque percorreu o ar, partindo vidros, abanando automóveis. No fim do dia, contavam-se 1200 feridos. O estado de emergência foi declarado.
Muitas pessoas filmaram na altura o fenómeno com telemóveis ou câmaras instaladas nos tabliers dos carros. E foi em parte graças a estes vídeos que foi possível reconstituir a sequência de eventos assustadores que tiveram lugar naquela gélida manhã de Inverno.
O que se sabe hoje: uma rocha de 12 mil toneladas entrou na atmosfera terrestre a cerca de 70 mil quilómetros por hora; desfez-se a uns 30 quilómetros de altitude, dando origem a uma bola de fogo cerca de 30 vezes mais brilhante do que o Sol, numa explosão de potência equivalente à de 500 mil toneladas de TNT que deixou rastos de poeira incandescente no céu. Um fragmento gigante, com cerca de 650 quilos, atingiu o solo, abrindo um buraco de sete metros de diâmetro no gelo do vizinho lago Chebarkul (de onde foi pescado em Outubro). Foi, ao que tudo indica, o maior meteoro a atingir a Terra desde 1908, quando um corpo celeste se desintegrou sobre Tunguska, uma zona não povoada da Sibéria.
Olga Popova, da Academia russa das Ciências, e Peter Jenniskens, da NASA, que assinam o artigo na Science juntamente com 57 colegas de nove países, contam que, nas semanas que se seguiram, visitaram mais de 50 aldeias e descobriram que os estragos se estendiam até a 90 quilómetros do “epicentro”. Já em Cheliabinsk, foram registados casos de escaldões e problemas oculares (devidos à intensa radiação ultravioleta emitida pela explosão); e de concussão, confusão mental e sinais de stress causados pela onda de choque. A força da explosão foi aliás suficiente para deitar pessoas ao chão.
Esta equipa também analisou a composição dos meteoritos recuperados no solo e conclui que o bólide de Cheliabinsk era uma rocha celeste da classe mais frequente: a dos “condritos comuns”. Os seus cálculos sugerem ainda que esta rocha provém da cintura de asteróides do sistema solar, mas Jenniskens especula, em entrevista à Science, que fazia inicialmente parte de um asteróide maior, que se terá fragmentado há cerca de 1,2 milhões de anos, provavelmente num anterior “encontro do terceiro grau” com a Terra.
Peter Brown, da Universidade do Ontário Ocidental, no Canadá — que assina ambos os estudos na Nature —, e colegas canadianos e checos confirmam esta ideia com base em vídeos da trajectória do meteoro de Cheliabinsk, que indicam que a sua órbita é semelhante à de um asteróide próximo da Terra, podendo isso significar que, a dada altura, os dois faziam parte do mesmo asteróide.
Mas os resultados mais inquietantes vêm do outro estudo assinado por Brown, que com uma outra equipa internacional tira duas conclusões do evento de Cheliabinsk: por um lado, que os modelos actuais de previsão dos estragos causados por este tipo de explosão aérea não correspondem às observações; e por outro, que o número de objectos com diâmetros da ordem das dezenas de metros que colidem com a Terra poderá ser até dez vezes maior do que se pensava.
“Os modelos actuais prevêem que um evento como o de Cheliabinsk poderia acontecer com intervalos de 120 a 150 anos, mas os nossos dados mostram que essa frequência poderá estar mais próxima dos 30 ou 40 anos”, diz Brown em comunicado. “Isso é uma grande surpresa”, acrescenta.
“Os nossos cálculos da frequência dos impactos baseiam-se numa década de registos, vindos de sensores de infrassons e outros, dos impactos energéticos na atmosfera terrestre, incluindo Cheliabinsk”, disse ao PÚBLICO Margaret Campbell-Brown, co-autora deste estudo. “Ora, esses registos revelam mais objectos com umas dezenas de metros de diâmetro do que as observações dos telescópios.”
Segundo ela, isso poderá dever-se ou ao facto do número desses objectos próximos da Terra ser maior do que se pensa; ou ao facto de a probabilidade de colisão com esse tipo de objecto, e não o seu número, ser maior; ou ainda a um enorme azar, que fez com que, nas últimas décadas a Terra fosse mais atingida do que é costume. “Não sabemos qual é a resposta”, conclui a cientista, “mas na minha opinião é uma combinação dos dois primeiros cenários; o terceiro é pouco provável”.

domingo, 13 de outubro de 2013


http://www.publico.pt/ciencia/noticia/como-quatro-cerebros-cozidos-ha-4000-anos-chegaram-ate-nos-1608363#/2


Como quatro cérebros cozidos há 4000 anos chegaram até nós

Condições únicas de mumificação permitiram a preservação de quatro cérebros humanos na região da Anatólia, na Turquia.



Nos últimos oito anos, escavações – que antecederam a exploração de carvão que a empresa Seyitömer Lignite quer fazer no monte Seyitömer Höyük, na região de Kütahya, na Turquia – puseram a descoberto cinco milénios de história da humanidade, cerca de 17 mil artefactos e, agora, quatro cérebros humanos cozidos. O estudo destes cérebros cozidos e bem conservados foi publicado online na revista Homo – Journal of Comparative Human Biology.
O monte, de 23,5 metros de altura, que corresponde a uma zona de habitação ancestral com 150 metros quadrado, mostra sinais de um sismo ocorrido na Idade do Bronze, que terá levado à queda de casas e consequente incêndio, deixando subterradas e carbonizadas pelo menos seis pessoas. Os seus esqueletos foram encontrados no interior de uma casa, rodeados por outros objectos também carbonizados. Mas o que mais impressionou os cientistas foram os cérebros dentro de quatro dos crânios, com 4000 anos.
Noticiada pela revista britânica Newscientist, esta foi uma descoberta extremamente rara porque os tecidos do cérebro são os que se decompõem mais rapidamente após a morte. A mumificação natural, responsável pela fraca deterioração dos tecidos dos cadáveres, ocorre em condições específicas, como temperaturas muito baixas (como nos glaciares), ambiente seco (como no deserto) e condições ácidas ou com baixa concentração de oxigénio (como nas turfeiras).
Para a conservação destes cérebros contribuíram vários factores. Logo após a morte dos indivíduos, o incêndio e as altas temperaturas originadas fizeram com que os cérebros fossem cozidos nos próprios fluídos cerebrais. Para além disso, o incêndio consumiu todo o oxigénio e a humidade presente no espaço, criando mais uma condição para a conservação dos cérebros.
Depois de subterrados, contaram com o próprio solo para manterem a integridade. O boro (elemento químico) é um repelente natural de insectos e bactérias e era utilizado nas mumificações no Egipto. O potássio, magnésio e alumínio, elementos químicos responsáveis por tornarem o solo alcalino (pH alto), promovem a saponificação, formação da “cera dos cadáveres” que preservou o formato dos tecidos cerebrais.
No cérebro em melhor estado de preservação, que será exposto num museu, a equipa de cientistas, liderada por Meriç Altinöz, do Departamento de Biologia Molecular e Genética da Universidade de Halic, na Turquia, já fez uma tomografia axial computorizada (TAC). Neste exame, identificaram-se todas as regiões cerebrais. Pela observação directa detectaram-se também algumas perturbações nos lobos frontais desse cérebro.
Para uma história das doenças neurológicas
Noutros dois cérebros foram sujeitos à observação microscópica de “fatias” dos seus tecidos e à análise dos componentes biológicos (como gorduras) ou de elementos químicos (também analisados no solo do local), comparando-os com os de outros cérebros mumificados e com cérebros actuais.
Vários metais pesados (como mercúrio e alumínio) foram encontrados tanto no cérebro como nos ossos e dentes, e também no solo, mostrando que, para além da contaminação que possa ter existido devido aos cadáveres estarem subterrados, houve incorporação desses elementos durante a vida dos indivíduos, sinal de uma actividade profissional que implicava, por exemplo, a exploração mineira e a exposição aos elementos presentes nos solos daquela região.
Salvo temporariamente da exploração mineira, espera-se que este local arqueológico, escavado pela equipa de Nejat Bilgen, do Departamento de Arqueologia da Universidade Dumlupinar, também na Turquia, traga contributos para a história da região da Anatólia. E não só.
“Os cérebros de Seyitömer contribuíram com mais informação sobre novas formas de tafonomia [estudo de organismos em decomposição ao longo do tempo e como fossilizaram] nos tecidos humanos”, conclui a equipa de Meriç Altinöz, no artigo científico. Num comentário à descoberta na revistaNewscientist, Frank Rühli, da Universidade de Zurique (na Suíça), que não fez parte do estudo, destacou, por sua vez, como é importante verificar se nos crânios encontrados em escavações arqueológicas ainda restaram tecidos cerebrais. “Se quisermos saber mais sobre a história das doenças neurológicas, temos de ter tecidos como estes”, acrescentou.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vida em Marte

http://www.publico.pt/ciencia/noticia/ups-afinal-o-metano-em-marte-e-quase-inexistente-1606428

Ups, afinal o metano em Marte é quase inexistente

Curiosity encontrou traços reduzidos de metano na atmosfera do planeta vermelho, ao contrário de medições feitas no passado. Descoberta dificulta a hipótese de vida microbiana.
Curiosity analisou a atmosfera marciana em 2012 e 2013 NASA
Até agora, todos os dados indicam que Marte é um planeta desprovido de vida. Mas a existência de organismos microbianos escondidos no solo do planeta vermelho ainda é uma hipótese suficientemente apelativa, e pouco estudada, para estar em cima da mesa. As medições feitas no passado de plumas de metano na atmosfera marciana permitiram imaginar que este gás era libertado por micróbios metanogénicos. Estes organismos encontram-se em certos ambientes da Terra, e o seu metabolismo produz metano, tal como os humanos expiram dióxido de carbono. Mas os resultados das experiências feitas pelo Curiosity parecem atirar a hipótese cano abaixo.
O robô da NASA, que caminha por solos marcianos há mais de um ano terrestre, fez várias medições da quantidade de metano que existe na atmosfera, a um metro acima do solo, em 2012 e 2013. Para isso, utilizou um espectrómetro de laser que analisa os gases existentes em amostras de ar. Os resultados são desanimadores. “O limite superior de 1,3 partes [de metano] por mil milhões de partes é significativamente menor do que as quantidades de metano medidas por sondas ou a partir de telescópios terrestres”, escreve a equipa de Christopher Webster, do Laboratório de Propulsão a Jacto, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, EUA, no artigo publicado esta quinta-feira na edição online da revistaScience.
Estas análises passadas mediram diferentes quantidades de metano ao longo dos anos e consoante o local do planeta analisado. Mas o gás tem um tempo de vida de centenas de anos antes de ser degradado pelo Sol, e os cientistas esperavam que a diluição deste gás na atmosfera gerasse uma quantidade de metano cerca de seis vezes maior do que a que foi encontrada agora.
Para os investigadores, “estes resultados reduzem em muito a probabilidade de actividade microbiana metanogénica em Marte” ou a produção deste gás devido a fenómenos geológicos. Mantém-se a incógnita sobre o que era o metano identificado nas experiências passadas.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Voyager 1 é o primeiro objecto feito por humanos a sair do sistema solar

Voyager 1 é o primeiro objecto feito por humanos a sair do sistema solar

Sonda espacial lançada em 1977 para estudar Júpiter e Saturno continuou viagem até aos limites do sistema solar. Continua a comunicar com a Terra, 36 anos depois.


A quase 19 mil milhões de quilómetros do Sol, a Voyager 1 era há muito o objecto construído por humanos que mais longe tinha chegado. Agora, tornou-se oficialmente no primeiro a ultrapassar os limites do sistema solar. A sonda espacial norte-americana, que continua a enviar dados para a Terra, entrou no espaço interestelar.
A Voyager 1 foi lançada a 5 de Setembro de 1977 de Cabo Canaveral, Florida. Uns dias antes, a 20 de Agosto, tinha sido a Voyager 2. A missão era observar o sistema solar exterior. A primeira deveria sobrevoar Júpiter e Saturno (o que fez em 1979 e em 1980). A segunda, além do grande gigante gasoso do sistema solar e do planeta dos anéis, teria de sobrevoar Úrano (1986) e Neptuno (1989). E seguir viagem.

Estão há mais de 36 anos no espaço e a expectativa era que a Voyager 1 ultrapassasse os limites do sistema solar em 2015. Nesta quinta-feira, num artigo publicado na revista Science, a equipa de cientistas da NASA que acompanha a missão revelou que a sonda atravessou a heliopausa e chegou ao “abismo do espaço interestelar” a 25 de Agosto de 2012.

“Não sei se isto está no mesmo campeonato que aterrar na Lua, mas está bem lá em cima – material Star Trek, de certeza”, ilustra Donald A. Gurnett, um dos autores do artigo, citado pelo The New York Times. “Quer dizer, considere a distância [19 mil milhões de quilómetros do Sol]. É difícil até para os cientistas compreenderem”, sublinha o professor de Física da Universidade do Iowa.

Aos 77 anos, Edward C. Stone é, para a NASA, o maior especialista em missões Voyager. O cientista trabalha neste projecto desde 1972 e está a viver o momento com entusiasmo. Mais do que isso, já anseia pela porta aberta para novas descobertas. “Isto é histórico, um pouco como a primeira exploração da Terra”, afirma, citado pelo mesmo diário norte-americano.

O último ano foi de intenso debate. Os cientistas da NASA tiveram de avaliar os dados enviados pela Voyager 1 com “muito, muito cuidado” – diz Stone – até os líderes da missão chegarem a um consenso sobre se a sonda teria atingido o espaço interestelar. Acabaram por concordar que de facto tinha acontecido, mais cedo do que o esperado.

As derradeiras provas chegaram entre Abril e Maio, quando se receberam na Terra as gravações sonoras das vibrações captadas pela antena de ondas plasma da sonda. Calculada a densidade do plasma à volta da nave, acabaram-se as incertezas. “Era exactamente o que esperávamos de plasma interestelar”, diz Gurnett. Depois, compararam os dados com os do Verão de 2012.

Rock n’ roll para extraterrestres
Os recursos de que a Voyager 1 dispõe para recolher informação são obsoletos e a própria NASA tem dificuldade em encontrar quem, a partir da Terra, consiga tirar o melhor partido possível do material disponível. A bordo existe um gravador de oito pistas e computadores com tão pouca memória que um nativo digital não saberia como dar-lhe uso.

Mas a sonda também leva alguns objectos intemporais. É o caso daQuinta Sinfonia de Beethoven ou de Johnny B. Goode, de Chuck Berry. Ou os sons de trovões, vulcões e terramotos, de hienas e elefantes, do vento, da chuva, do riso.

Para esta missão, a NASA decidiu ser mais ambiciosa nas mensagens que enviava para o Espaço, na eventualidade de as sondas se cruzarem no futuro com vida inteligente extraterrestre. Até ali, as naves levavam uma placa com o local e o ano de origem. Em 1977, as Voyager levavam uma parafernália de imagens, sons, música e mensagens em 55 línguas – incluindo do Presidente norte-americano Jimmy Carter e do então secretário-geral da ONU, o austríaco Kurt Waldheim. A selecção foi feita por um comité encabeçado por Carl Sagan.

Se alguma vez os discos analógicos (que estão munidos de instruções, por símbolos) chegarem a ser tocados, a 16-2/3 rotações por minuto, nunca o saberemos. Pelo menos pelos nossos próprios meios. Isto porque a Voyager 1 deve perder a capacidade para enviar informação para o Jet Propulsion Laboratory por volta de 2025 e a sonda só deve cruzar-se com um planeta dentro de 40 mil anos. Mais ou menos. Aliás, a sonda ainda consegue enviar dados – que demoram 17 horas a chegar à Terra, devido à distância – por estar a poupar energia desde 1990.

Nesse ano, tirou a sua última fotografia: um retrato de família do sistema solar. Foi o fim de uma carreira que deu aos seres humanos imagens nunca vistas de Júpiter e de Saturno. Há dias, o University College de Londres disponibilizou em alta resolução um mosaico de fotografias das luas de Júpiter. Outras imagens captadas pela Voyager 1 podem ser vistas no site que a NASA dedica à missão.

Uma década antes de se acabarem as fotografias, em 1980, já o instrumento de medição da energia nas partículas de plasma tinha deixado de funcionar. Resta o sensor que permitiu concluir o histórico acontecimento que os cientistas agora festejam. Quando uma erupção solar voltar a agitar a antena, a Voyager 1 voltará a enviar uma mensagem para a Terra, através do seu transmissor de 23 watts.