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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vida em Marte

http://www.publico.pt/ciencia/noticia/ups-afinal-o-metano-em-marte-e-quase-inexistente-1606428

Ups, afinal o metano em Marte é quase inexistente

Curiosity encontrou traços reduzidos de metano na atmosfera do planeta vermelho, ao contrário de medições feitas no passado. Descoberta dificulta a hipótese de vida microbiana.
Curiosity analisou a atmosfera marciana em 2012 e 2013 NASA
Até agora, todos os dados indicam que Marte é um planeta desprovido de vida. Mas a existência de organismos microbianos escondidos no solo do planeta vermelho ainda é uma hipótese suficientemente apelativa, e pouco estudada, para estar em cima da mesa. As medições feitas no passado de plumas de metano na atmosfera marciana permitiram imaginar que este gás era libertado por micróbios metanogénicos. Estes organismos encontram-se em certos ambientes da Terra, e o seu metabolismo produz metano, tal como os humanos expiram dióxido de carbono. Mas os resultados das experiências feitas pelo Curiosity parecem atirar a hipótese cano abaixo.
O robô da NASA, que caminha por solos marcianos há mais de um ano terrestre, fez várias medições da quantidade de metano que existe na atmosfera, a um metro acima do solo, em 2012 e 2013. Para isso, utilizou um espectrómetro de laser que analisa os gases existentes em amostras de ar. Os resultados são desanimadores. “O limite superior de 1,3 partes [de metano] por mil milhões de partes é significativamente menor do que as quantidades de metano medidas por sondas ou a partir de telescópios terrestres”, escreve a equipa de Christopher Webster, do Laboratório de Propulsão a Jacto, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, EUA, no artigo publicado esta quinta-feira na edição online da revistaScience.
Estas análises passadas mediram diferentes quantidades de metano ao longo dos anos e consoante o local do planeta analisado. Mas o gás tem um tempo de vida de centenas de anos antes de ser degradado pelo Sol, e os cientistas esperavam que a diluição deste gás na atmosfera gerasse uma quantidade de metano cerca de seis vezes maior do que a que foi encontrada agora.
Para os investigadores, “estes resultados reduzem em muito a probabilidade de actividade microbiana metanogénica em Marte” ou a produção deste gás devido a fenómenos geológicos. Mantém-se a incógnita sobre o que era o metano identificado nas experiências passadas.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Voyager 1 é o primeiro objecto feito por humanos a sair do sistema solar

Voyager 1 é o primeiro objecto feito por humanos a sair do sistema solar

Sonda espacial lançada em 1977 para estudar Júpiter e Saturno continuou viagem até aos limites do sistema solar. Continua a comunicar com a Terra, 36 anos depois.


A quase 19 mil milhões de quilómetros do Sol, a Voyager 1 era há muito o objecto construído por humanos que mais longe tinha chegado. Agora, tornou-se oficialmente no primeiro a ultrapassar os limites do sistema solar. A sonda espacial norte-americana, que continua a enviar dados para a Terra, entrou no espaço interestelar.
A Voyager 1 foi lançada a 5 de Setembro de 1977 de Cabo Canaveral, Florida. Uns dias antes, a 20 de Agosto, tinha sido a Voyager 2. A missão era observar o sistema solar exterior. A primeira deveria sobrevoar Júpiter e Saturno (o que fez em 1979 e em 1980). A segunda, além do grande gigante gasoso do sistema solar e do planeta dos anéis, teria de sobrevoar Úrano (1986) e Neptuno (1989). E seguir viagem.

Estão há mais de 36 anos no espaço e a expectativa era que a Voyager 1 ultrapassasse os limites do sistema solar em 2015. Nesta quinta-feira, num artigo publicado na revista Science, a equipa de cientistas da NASA que acompanha a missão revelou que a sonda atravessou a heliopausa e chegou ao “abismo do espaço interestelar” a 25 de Agosto de 2012.

“Não sei se isto está no mesmo campeonato que aterrar na Lua, mas está bem lá em cima – material Star Trek, de certeza”, ilustra Donald A. Gurnett, um dos autores do artigo, citado pelo The New York Times. “Quer dizer, considere a distância [19 mil milhões de quilómetros do Sol]. É difícil até para os cientistas compreenderem”, sublinha o professor de Física da Universidade do Iowa.

Aos 77 anos, Edward C. Stone é, para a NASA, o maior especialista em missões Voyager. O cientista trabalha neste projecto desde 1972 e está a viver o momento com entusiasmo. Mais do que isso, já anseia pela porta aberta para novas descobertas. “Isto é histórico, um pouco como a primeira exploração da Terra”, afirma, citado pelo mesmo diário norte-americano.

O último ano foi de intenso debate. Os cientistas da NASA tiveram de avaliar os dados enviados pela Voyager 1 com “muito, muito cuidado” – diz Stone – até os líderes da missão chegarem a um consenso sobre se a sonda teria atingido o espaço interestelar. Acabaram por concordar que de facto tinha acontecido, mais cedo do que o esperado.

As derradeiras provas chegaram entre Abril e Maio, quando se receberam na Terra as gravações sonoras das vibrações captadas pela antena de ondas plasma da sonda. Calculada a densidade do plasma à volta da nave, acabaram-se as incertezas. “Era exactamente o que esperávamos de plasma interestelar”, diz Gurnett. Depois, compararam os dados com os do Verão de 2012.

Rock n’ roll para extraterrestres
Os recursos de que a Voyager 1 dispõe para recolher informação são obsoletos e a própria NASA tem dificuldade em encontrar quem, a partir da Terra, consiga tirar o melhor partido possível do material disponível. A bordo existe um gravador de oito pistas e computadores com tão pouca memória que um nativo digital não saberia como dar-lhe uso.

Mas a sonda também leva alguns objectos intemporais. É o caso daQuinta Sinfonia de Beethoven ou de Johnny B. Goode, de Chuck Berry. Ou os sons de trovões, vulcões e terramotos, de hienas e elefantes, do vento, da chuva, do riso.

Para esta missão, a NASA decidiu ser mais ambiciosa nas mensagens que enviava para o Espaço, na eventualidade de as sondas se cruzarem no futuro com vida inteligente extraterrestre. Até ali, as naves levavam uma placa com o local e o ano de origem. Em 1977, as Voyager levavam uma parafernália de imagens, sons, música e mensagens em 55 línguas – incluindo do Presidente norte-americano Jimmy Carter e do então secretário-geral da ONU, o austríaco Kurt Waldheim. A selecção foi feita por um comité encabeçado por Carl Sagan.

Se alguma vez os discos analógicos (que estão munidos de instruções, por símbolos) chegarem a ser tocados, a 16-2/3 rotações por minuto, nunca o saberemos. Pelo menos pelos nossos próprios meios. Isto porque a Voyager 1 deve perder a capacidade para enviar informação para o Jet Propulsion Laboratory por volta de 2025 e a sonda só deve cruzar-se com um planeta dentro de 40 mil anos. Mais ou menos. Aliás, a sonda ainda consegue enviar dados – que demoram 17 horas a chegar à Terra, devido à distância – por estar a poupar energia desde 1990.

Nesse ano, tirou a sua última fotografia: um retrato de família do sistema solar. Foi o fim de uma carreira que deu aos seres humanos imagens nunca vistas de Júpiter e de Saturno. Há dias, o University College de Londres disponibilizou em alta resolução um mosaico de fotografias das luas de Júpiter. Outras imagens captadas pela Voyager 1 podem ser vistas no site que a NASA dedica à missão.

Uma década antes de se acabarem as fotografias, em 1980, já o instrumento de medição da energia nas partículas de plasma tinha deixado de funcionar. Resta o sensor que permitiu concluir o histórico acontecimento que os cientistas agora festejam. Quando uma erupção solar voltar a agitar a antena, a Voyager 1 voltará a enviar uma mensagem para a Terra, através do seu transmissor de 23 watts.